A metamorfose que é SER | Seja Imensa
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A metamorfose que é SER

 

[ Ouça esse texto narrado por mim no Pitoresca Podcast clicando aqui ]

Olhar pra trás é uma das minhas formas favoritas de me reconhecer. O que eu fui me diz muito sobre o que carrego, sobre o porquê me construí dessa forma e em que altura eu decidi aceitar a metamorfose que é ser.
Esses dias li em algum lugar que “quem me conheceu há 5 anos já não sabe mais quem eu sou agora” e eu me vi. Na verdade me coloquei nesse lugar de um tempo pra cá – muitas vezes para manter um tal perfil para ser aceita, como também só para evitar me destacar ou chegar em algum lugar que eu queria de todo o meu coração mas que nem todas as mentes reconheciam como um bom lugar para estar ou alcançar.
Eu sempre almejei alguns espaços específicos demais para serem comunicados sem causar alvoroço. Por isso eu nunca contei pra ninguém e guardo-os como as próprias chaves que vão despertar algo sublime em mim, assim, ao invés de me cobrar a destravá-los o quanto antes para convencer quem olha de fora, sei que eles vão me encontrar na hora certa que o meu interior for capaz de acomoda-los.
Não me transformo mais por anseio, por medo, por culpa. Tento me transformar apenas porque isso me fortalece de alguma forma. Busco novas versões porque é nesse caminho que encontro o frescor que é expirar e inspirar de peito aberto e livre. Veja, nossos pulmões fazem isso ao menos 15 vezes por minuto! Nossa essência e graça é dar novas formas, ressignificar.

As pessoas que me conheceram há 3, 5, 10 ou 24 anos atrás talvez não me reconheçam mais. Mas eu sei muito bem quem eu sou hoje e o que me guiou até aqui (inclusive as contribuições dessas pessoas!) para que essa infinidade de transformações não me causasse o caos, não me espantasse da minha missão e do meu lugar e principalmente que não me custasse uma vida vazia.

De certa forma vão sempre encontrar meus traços mais pueris, minhas vergonhas de sempre, minha expressão perambulante e desajeitada que me habita o corpo, minha mania de alisar os fios do cabelo com as pontas dos dedos, meu egoísmo que insisto em colocar a culpa na ausência de um irmão, minhas sobrancelhas exageradas, esse quê de saber o quê mas nem sempre saber explicar porquê, meu olhar observador que costuma intimidar, meus dedos compridos que já foram convencidos e desistidos do piano tantas vezes… Isso fica e eu celebro alegre essa permanência porque vejo essência em cada fragmento que me foi atribuído por ser indivíduo e coletivamente esse infinito, múltiplo, mutante e imprevisível ser. É só isso que me resta, ser.

Eu me transformei pra chegar até aqui, olhar firme pra isso tudo e finalmente pensar: que bom que evoluí! mas ainda falta um tanto bom pra chegar lá!

[ Ouça depois de ler: Como uma onda | Lulu Santos ]

com tudo que cabe,
Stefany.

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