A TAL DA ESPINHA ERETA

por | jul 18, 2018 | Crônicas

– Do coração do impulso tem que brotar mais que alma, têm que fazer nascer gestos. Até porque a gente tem que entender que apontar pra cima custa, mas não há preço para a altura quando se alcança.
Postura é coisa que eu mais que admiro. Seja por vivência ou disposição esse tipo de gente que se coloca em seu lugar merece um pouco mais que todo mundo. O aprumado do corpo só perde pra mente e coração que se colocam em seu devido lugar. Não sei se é pela minha própria dificuldade, mas acho bonito demais quem consegue manter uma postura bonita.
Daí que eu fico associando isso de consciência corporal a compreensão que a gente tem da gente mesmo. Será que sempre sabemos o ponto em que estamos? Será que é possível garantir uma percepção segura dos nossos mínimos e limites? Certamente não, e tudo bem, sabia? Até porque estamos sempre descobrindo nossas margens de erro e nossos dias nada mais são do que oportunidades pra explorar adentro de fora a fora e afora o íntimo.
Talvez a gente se prostre e demore um pouco pra levantar, mas segue firme porque coluna forte é sequela de movimento e não dá pra desenrolar ficando parado. Saber por onde andar é mais questão de propósito do que segurança de estado – deveria, pelo menos – e ainda mais importante que saber se portar no espaço é não se perder no tempo. Defina prazos mas compreenda atrasos, estabeleça metas sem cobrar do outro o que você poderia ter feito, mensure as sobras mas não as exija. É questão de posicionamento, pé no chão e sobriedade da mais pura.
Do coração do impulso tem que brotar mais que alma, têm que fazer nascer gestos. Até porque a gente tem que entender que apontar pra cima custa, mas não há preço para a altura quando se alcança. Espinha ereta não é questão de manter a compostura, é sobre saber alçar voos tão altos quanto longos, pra quem sabe que encontrar o prumo muitas vezes é o resultado de perdê-lo por um segundo.
Talvez a gente se debruce ou empine, ora encolha e depois retorça pra ver se ainda sai alguma coisa, e no final é isso tudo uma postura bonita. O importante é que que a vida corra por dentro pra escapar pra fora em algum momento.

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