PRA ME DAR CONTA SEMPRE QUE DER

por | dez 23, 2020 | Crônicas

Deus me livre de perder o ânimo pelas coisas boas da vida, a vivacidade, o brilho nos olhos, a vontade de existir e fazer. Sei bem que o futuro que vem pela frente depende do que a gente faz e não do que a gente pensa mas ainda sim penso porque isso faz parte da minha existência, me recobra o ar.
E escrevo tudo isso com um tom de aconchego e quase nenhum alerta porque aliás um dos meus desejos pro futuro é estar menos alerta e mais disposta a abraçar. Entender que existem coisas que eu escolho e outras que eu simplesmente acolho. Desejo também que a gente se provoque menos e se misture mais, que a gente mergulhe no outro enquanto descobre a si. Que a hora de me amar não seja mais um ponto que eu bata no meu calendário, mas que aconteça a todo instante que puder e que eu lembre disso mais vezes.
Que a gente reconheça as pessoas mais pela cara do que pela boca. Que a gente leia mais livros mas também que a gente saiba ler tristeza no rosto e que olhando pra ela exista um conselho sincero, mesmo que incerto, pronto pra aquietar a angústia do peito do outro.
Desejo que a gente entenda que sempre há algo fora de controle simplesmente porque todas nós temos nossos próprios pontos cegos. Que isso não seja tão raro a ponto da calma ser um encontro bissexto, que desfrutar do imprevisível seja sempre um horizonte que estejamos dispostas a perseguir e temer menos.
Enquanto escrevo, percebo. E desejo que esse pulsar e ímpeto de querer atrair coisas boas me faça origem do bem pra mais pessoas. Que eu seja sensível e paciente para enxergar algo de bom nas pessoas que ainda não puderam florescer e que, se possível, eu seja uma polinizadora dessa força e liberdade que é ser.
Aliás, que a gente nunca se sinta presa, seja pelo que for ou até mesmo pelos nossos próprios pensamentos e julgamentos.

Que a expansão seja nosso convite e o nosso alento. Afinal de contas já sabemos que a imensidão é tudo que nos cabe.

Por fim, desejo que o futuro continue ecoando como uma palavra bonita porém mais perto do que hoje imaginamos. E que a gente saiba que a gente vai chegar lá mas não vai ser hoje. Tampouco amanhã.

Com tudo que cabe,
Stefany Freu.

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